terça-feira, novembro 22, 2011

Quando nasce um escritor?

Muito bom acompanhar o nascimento de um escritor, ver alguém vencer as barreiras e dividir seus pensamentos com o outro.
Dia desses tive a grata surpresa de receber o primeiro livro do meu sobrinho Matheus. Ele tem 10 anos e escreveu o livro como projeto da escola, mas as ideias dele me surpreenderam, uma noção sobre a vida que eu não tinha nessa idade. Não sei se ele vai seguir carreira, mas é bacana acompanhar o nascimento de uma ideia, participar de um momento tão bacana na vida de alguém.
Não sei precisar quando surgiu em mim a vontade de escrever, me lembro que mesmo antes de ser alfabetizada eu contava estórias baseadas nas figuras que via nos livros. Acho que logo que aprendi a ler a escritora (permitam-me essa pequena pretensão) que pulsava dentro de mim ganhou vida.
Desde muito cedo já colecionava diários e na escola tudo relativo a escrita me chamava a atenção, fui jornalista, historiadora, enfim, se era para contar uma estória lá estava eu.
Quando o mundo dos blogs começou não tive dúvidas que aquela seria a minha via para mostrar as pessoas as  coisas que escrevo. No começo foi difícil porque para mim escrever sempre foi expor meus sentimentos e nos meus textos me via vulnerável, então comecei a desenvolver um jeito de dizer sem querer dizer, de me mostrar sem revelar demais. Houve um tempo que comecei a considerar a exposição muito grande e cogitei e ideia de parar de escrever em público (afinal é meio isso que acontece quando a gente publica as coisas num blog). Só consegui superar essa fase quando assisti a uma entrevista de Marta Medeiros em que ela dizia que seus textos sempre traziam algo da sua experiência, mesmo que fosse ficção era impossível dissociar a pessoa escritora da persona que habitava os textos.
Foi a partir dessa entrevista que relaxei e percebi que a minha essência sempre estaria naquilo que eu escrevesse.
Não sou uma escritora reconhecida como a Marta ou outras tantas que admiro, mas no meu mundinho tenho aquelas pessoas que admiram as coisas que escrevo, tenho o amigo que se diz siderado nas coisas que escrevo e a amiga que sempre quer saber qual a ideia original, o que me moveu. Outro dia recebi um email dessa amiga, pedindo que eu "esmagasse com palavras as entrelinhas" porque ela estava curiosa e queria saber o porque do porque... Acho divertido e lisonjeiro porque sempre quis conversar com meus autores favoritos e fazer as mesmas perguntas que ela me faz.
Essa semana tive uma surpresa boa, o amigo, aquele siderado nas coisas que escrevo, resolveu me mandar um texto seu, naquele momento fiquei muito feliz porque lá estava eu, mais uma vez, acompanhando o nascimento de um escritor. O texto, recheado de um humor cortante, contava a história do seu nascimento e a presença de um anjo roto e mal trapilho... A escrita dele é tão boa que espero que não lhe falte inspiração e que, em breve, mais gente possa  se deliciar com as estórias contadas por ele.
Quanto a mim, só me resta agradecer, quem sabe ao anjo roto e mal trapilho, por ter trazido ao mundo mais um excelente escritor e ter feito dele meu amigo...

segunda-feira, setembro 19, 2011

Sessão Cinema – O Solista



Filmes baseados em fatos reais podem ser um completo desastre quando partem para a exploração piegas de contar a vida de alguém. Não é o que acontece com essa belíssima película dirigida por Joe Wright, protagonizada por Robert Downey Jr e Jamie Fox.
O filme conta a história de Steve Lopez (Robert Downey Jr), um ávido repórter do Los Angeles Times, que está sempre em busca de histórias interessantes. Disposto a fazer o melhor no trabalho Steve tem uma vida pessoal despedaçada onde sua grande preocupação é encontrar um modo de afugentar os guaxinins que insistem em destruir seu jardim. Até que um dia, andando pelas ruas caóticas de Los Angeles, ele ouve uma música tão linda, capaz de silenciar todo barulho daquela cidade pungente. É nesse momento que Steve conhece Nathaniel Ayers (Jamie Foxx) morador de rua que toca um violino com apenas duas cordas de forma brilhante.
A reação de contentamento se mistura ao sentimento de tristeza ao se deparar com tamanho talento desperdiçado num túnel sujo da cidade. Logo Steve percebe que Nathaniel sofre de esquizofrenia e por isso não conseguiu dar continuidade a sua carreira musical iniciada ainda na infância e quase perdida desde o abandono de Juliard, uma das melhores escolas de música do mundo.
Como grande repórter que é Steve Lopez resolve contar a história de Nathaniel em sua coluna no jornal. Ao ler a matéria uma leitora doa um violoncelo ao músico e isso liga a vida do jornalista a do músico de forma comovente, criando um laço de amizade capaz de salvar a vida de ambos.
O Solista é desses filmes tocantes, que emociona desde o início, a história é contada de um jeito tão maravilhoso e encantador que vai além do que os olhos podem ver, é algo para ser sentido.
O diretor faz um trabalho surpreendente e permite aos atores interpretações magníficas que ultrapassam a simples história de um jornalista que encontra um músico mendigo.
Os personagens estão numa jornada de volta para o lar que não se traduz apenas no espaço físico, mas sim naquele lugar dentro de cada um que traz uma plenitude capaz de transformar vidas que até então pareciam, irremediavelmente, perdidas.
Ficha Técnica
Título original: (The Soloist)
Direção: Joe Wright
Atores: Jamie Foxx, Robert Downey Jr., Michael Bunin, Marcos de Silvas.
Duração: 117 min
Gênero: Drama
   

quarta-feira, junho 29, 2011

Heitor e Miguel

No dia 17 de junho o celular tocou de madrugada, a voz aflita do meu cunhado dizia que os meninos iriam nascer dois meses antes do previsto.

Naquele momento chorei em silêncio e pedi a proteção divina para minha irmã e seus filhinhos.

Luiza chegou a Montes Claros, sentindo fortes contrações. A médica confirmou o início do trabalho de parto. Diante da situação de risco ligou primeiro para a Santa Casa, mas foi informada que não havia leitos disponíveis no CTI neonatal, a mesma resposta foi dada pelo HU. Mesmo com a negativa de ambos os hospitais nossa médica, Dra. Juciméia, nos orientou a ir ao HU.

Quando chegamos ao Hospital Luiza recebeu a qualificação laranja, ou seja, o caso era urgente, precisava de atendimento imediato.

Na maternidade fomos atendidos pelo Dr. Anderson, natural de Itacarambí. Ele confirmou a falta de leitos no CTI neonatal e disse que a equipe faria o possível para cuidar dos bebês, mas que sem o CTI não havia garantias quanto à recuperação dos meninos.

Naquele momento senti como se tivesse sido atropelada por um caminhão, uma sensação de impotência me invadiu, estava ali vivendo o drama do descaso que acomete o Brasil e especialmente a região Norte Mineira.

O médico procedeu à internação da minha irmã, mas ele também não se conformava que os meninos tivessem que nascer daquele jeito.

Então num momento de luz ele se lembrou do CTI neonatal de Janaúba e como Luiza já estava no “sistema” se houvesse os leitos lá a prioridade era dela.

Na mesma hora liguei para André Rocha, amigo e secretário de saúde de Januária, pedindo que ele nos ajudasse. Enquanto isso o Dr. Anderson ligava para Janaúba e confirmava com o Dr. Luis a existência dos leitos para atender os meninos.

Em poucos minutos tivemos que tomar a decisão de deslocar uma grávida de gêmeos, em franco trabalho de parto, para Janaúba, a 120 km de Montes Claros.

Tomada a decisão de ir para Janaúba partimos para a procura de uma ambulância, a médica responsável pela obstetrícia do HU, Dra. Edimiuza, se desdobrou ao telefone tentando encontrar um carro disponível, mas a dificuldade era grande. Luiza já estava com quatro centímetros de dilatação e a espera tornava tudo mais complicado.

Então, mais uma vez, o celular tocou, do outro lado, era o amigo André que havia disponibilizado uma ambulância para levar minha irmã até Janaúba.

Acompanhada pelo Dr. Anderson, uma enfermeira (infelizmente não sei o nome) e meu cunhado, Luiza saiu de Montes Claros por volta do meio dia. A presteza do motorista foi fundamental, pois por pouco Heitor nasceria na ambulância.

Em Janaúba o parto foi feito pelo Dr. Luis (colega de Faculdade do meu querido pediatra Dr. Eustáquio Azevedo) e o pediatra Dr. Hebert cuidou dos meninos. Como previsto pelo Dr. Anderson tanto Heitor quanto Miguel precisaram dos cuidados que só poderiam ser dados em uma UTI neonatal, ambos foram para o respirador pois o pulmão não estava maduro.

Ir para Janaúba foi à melhor decisão e agradeço todos os dias pelo CTI que existe naquela cidade. Mas ao mesmo tempo me sinto indignada porque o descaso com a saúde pública quase tirou a chance de sobrevivência de Heitor e Miguel.

Depois desse episódio me pego pensando em quantas pessoas não tiveram a mesma sorte que a nossa família. Fico pensando em quantas crianças ainda vão morrer, em quantos pais, mães, tias, avós que não terão a chance de ver seus filhos, sobrinhos e netos crescerem. Isso não está certo.

Não quero criticar este ou aquele político, sei que a questão é maior, não é possível apontar um único culpado porque são anos de descaso, anos de farra com o dinheiro público, anos de corrupção, mas naquele dia percebi que a mazela da saúde se dá em cadeia, minha irmã saiu de Januária e foi parar em Janaúba porque o “sistema” não funciona.

Até o dia 17 de junho nunca havia sentido tão de perto o sofrimento de quem depende da saúde pública, até aquele dia achava possível viver a vida sem pensar em como a política afeta tudo, foi preciso ficar diante de um cenário tão desolador para compreender a dimensão das coisas.

Como disse não cabe a mim apontar culpados, isso seria leviano, mas talvez seja preciso refletir sobre as nossas escolhas e como elas podem afetar a vida de muita gente. Pode parecer uma simples decisão, mas as conseqüências virão e atingirão a todos, sem exceção.

Passado o sufoco quero agradecer a Nossa Senhora Aparecida que ouviu todas as minhas preces e colocou no caminho da minha irmã e dos meus sobrinhos verdadeiros Anjos da Guarda, em especial agradeço a equipe do Hospital FundaJan de Janaúba pelo carinho dedicado aos meninos.

Eles seguem na UTI, mas agora já respiram sozinhos. Miguel, por ser o maior, já está mamando no peito e na quarta-feira tomou o primeiro banho de verdade. Heitor, o menor, ainda se alimenta através de uma sonda e toma banho de “gato” como diz minha irmã. Eles estão bem, se recuperando e isso traz muita alegria.

No fim deu tudo certo, como disse o Dr. Anderson, mas o meu desejo é que ninguém precise passar pelo que passamos e que todas as crianças tenham direito de nascer em suas cidades.

quarta-feira, junho 15, 2011

Cadê a moça?

Ando sumida...
Primeiro foi uma gripe daquelas que me abateu durante uma semana...
Agora é uma alguma "ite" que não me deixa pensar em nada... A inspiração até aparece, mas não tenho conseguido articular as palavras.
Arrisquei um texto sobre o filme O Iluminado, mas não saí do terceiro parágrafo.
Ah, falando em filmes recomendo Biutiful, é maravilhoso, algo "bunito" (acho que essa poderia ser a tradução do Silvio Santos) mesmo...
Bom, mas agora vou indo, só queria dar sinal de vida mesmo caso alguém tenha sentido falta da moça que vos fala...
Até breve...

sexta-feira, junho 03, 2011

Get it Right - Original Song Glee

Vou deixar a música falar por mim, ou melhor, falar para mim...

segunda-feira, maio 30, 2011

Sessão Cinema – Insolação

Guiada pela curiosidade do nome tive uma grata surpresa ao assistir Insolação, filme nacional dirigido pelo estreante Felipe Hirsh e Daniela Thomas.

É um filme difícil de classificar, mas tomo emprestadas as palavras de Celso Sabadin para dizer que é pura poesia.

Não é um filme fácil, com histórias lineares, não tem começo, meio e fim e isso intriga, perturba, incomoda, acho que pode não agradar a todos, pois é preciso um grau de abstração para mergulhar nas questões de cada personagem.

O filme tem um ar teatral e inicia com um monólogo interpretado por Paulo José sobre a busca insólita do amor. Talvez essa seja a única faceta constante em todos os personagens, a busca pelo amor.

As histórias se passam em Brasília que numa magnífica direção de arte e fotografia aparece vazia, abandonada, como um sonho que começa, é edificado, mas que depois perde o sentido.

Para mim a escolha de Brasília traz uma aridez tocante, porque, de certa forma, a cidade expressa essa solidão, mesmo na normalidade do dia-a-dia, no chamado plano piloto quase não se vê gente na rua e os carros passam rápido, tudo é muito longe, quase inalcançável, assim como a busca pelo amor.

Os personagens vivem histórias desconexas entre si que vão desde o menino que experimenta a ternura do primeiro amor por uma moça mais velha, vivida por Leandra Leal à inquietação de uma ninfomaníaca interpretada por Simone Spoladore. A propósito, Simone Spoladore está magnífica, ela traz uma humanidade cortante, doída a personagem, talvez uma de suas melhores interpretações.

Paulo José é um suicida mal sucedido que recita textos e versos numa tentativa de explicar o inexplicável do amor. O personagem traz um tom áspero e macio, quente e frio, terno e violento como água prestes a entrar em ebulição.

As falas são longas, às vezes permanece um silêncio aterrador, há uma monotonia necessária na construção de cada linha, mas que com abstração e paciência comove, toca no mais intimo do Ser humano.

Talvez pela raridade da obra seja tão difícil descrever, dar nome ao sentimento experimentado, quantificar a emoção. Sei que nem todo mundo verá a beleza que enxerguei, mas aí reside o mistério da arte e também do amor, algumas vezes a gente embarca, outras não. O importante é se permitir, ao menos, tentar.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Felipe Hirsch, Daniela Thomas

Elenco: Paulo José, Antonio Medeiros, Simone Spoladore, Leonardo Medeiros, André Frateschi, Maria Luisa Mendonça, Leandra Leal, Jorge Emil, Daniela Piepszyk, Emilio di Biasi.

Produção: Sara Silveira, Beto Amaral, Pedro Igor Alcântara, Maria Ionescu.

Roteiro: Will Eno, Sam Lipsyte

Fotografia: Mauro Pinheiro Jr.

Trilha Sonora: Arthur de Faria

Duração: 93 min.

Ano: 2009

País: Brasil

Gênero: Romance

Cor: Colorido

Distribuidora: Europa Filmes

Classificação: Livre

terça-feira, maio 24, 2011

Quase sem Querer - Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha

Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Sou tão tranqüilo e tão contente.

Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém.

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.

Tão correto e tão bonito;
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.

Agora só sei que não sei de nada, mas segundo a opinião especializada isso também é caminho.

Ainda não acredito nas possibilidades, ainda não me vejo como dizem, mas repito as palavras a mim mesma, com esperança que o potencial se concretize...

Por enquanto... Nonada... Reminiscências...