segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Sessão Cinema - Apenas Uma Vez (Título Original: Once)



Renato Russo disse certa vez que disciplina é liberdade. Muitos filmes independentes pecam no quesito disciplina e se atrapalham na ânsia de criar algo novo, que de tão cult se tornam incompreensíveis.
Apenas uma vez é desses filmes raros que não tem medo de arriscar ao falar do amor sem fazer disso um clichê, a linguagem é clara, real, filmada em câmera digital sem tripé.
O baixo orçamento não compromete a história desse casal de músicos que se conhece nas ruas de Dublin. Ela (Markéta Irglová) é uma pianista desconhecida, deixou o marido na Tchecoslováquia para tentar dar uma vida melhor à filha e vende flores na rua. Ele (Glen Hansard), desiludido com o amor, conserta aspiradores de pó na empresa do pai e nas horas vagas canta nas ruas.
Os nomes dos personagens nunca são ditos e esse toque sutil e delicado mostra o contraponto desse filme que descarta o clichê do amor romântico. O diretor constrói a história de duas pessoas reais, que poderiam ser qualquer um nós, vivendo a alegria e o medo de se apaixonar.
Nessa película a música conta a história dos personagens sem parecer piegas ou forçada, tudo é muito natural, sem longos diálogos que tentam explicar o inexplicável.
Em Apenas Uma Vez a história de amor ultrapassa o mero final feliz que torna as relações amorosas tão limitadas, as expectativas são engolidas pela realidade, mas a emoção está presente nos pequenos detalhes e fica impossível não se apaixonar por cada pedaço, por cada música, por cada gesto.
É um filme manso, que trata do mais genuíno amor, aquele momento que acontece raramente e não, necessariamente, precisa ser vivido para ser bonito.
Uma experiência sublime que espero não ter sido única, pois, como bem disse Pedro Miranda, merecemos filmes como esse MAIS de uma vez.

Ficha Técnica
Título Original:Once
Gênero:Drama
Duração:1 hr 25 min
Ano de lançamento: 2006
Distribuidora: Fox Searchlight Pictures / Imagem Filmes
Direção: John Carney
Roteiro: John Carney
Produção: Martina Niland
Música: Glen Hansard e Markéta Irglová
Fotografia: Tim Fleming
Direção de Arte: Riad Karin
Figurino: Tiziana Corvisieri
Edição: Paul Mullen

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Sessão Cinema - Meia Noite em Paris


A semana começou com as indicações ao Oscar que acontece no dia 26 de fevereiro, em Los Angeles, no teatro Kodak.
Entre os indicados ao prêmio de melhor filme está Meia Noite em Paris, escrito e dirigido por Woody Allen, que também figura na categoria de melhor roteiro original e produção.
Meia Noite em Paris é um filme envolvente, marcado por grandes atuações. Owen Wilson surpreende no papel de Gil, um roteirista cansado de Hollywood que sonha em encontrar na cidade luz o habitat perfeito para se tornar um grande escritor. Rachel McAdams completa o enredo interpretando Ignes, noiva de Gil.
Gil é um sujeito deslocado, ele não se encaixa no padrão esperado para ele, fazer compras, gastar dinheiro em restaurantes sofisticados ou ter conversas pseudointelectuais não o comovem.
Para ele o seu tempo não é agora, se pudesse viveria na Paris chuvosa dos anos 20 embalado pelas canções de Coler Porter e tendo como inspiração Hemingway ou F. Scott Fitzgerald.
No filme o expectador é transportado a Paris dos anos 20 e tem a chance de saborear toda magia existente naquela época. Woody Allen capta com maestria aquela sensação experimentada pela maioria das pessoas de pensar em como teria sido viver em outro tempo.
A princípio parece perfeito viver em outra época, desfrutar da companhia de ícones artísticos no começo de suas carreiras, perceber que eles ainda não se dão conta da sua grandeza, mas logo isso se dissipa. E a pergunta volta: Será mesmo essa a grande época?
A resposta, parafraseando Heitor Augusto, está na delicadeza de viver o presente trazendo do passado o que interessa para se criar hiatos de felicidade no hoje. E este é o grande acerto de Allen, que retoma a sua melhor forma nesse filme comovente.
E por falar em comovente aproveito para agradecer ao amigo Renato Macayba pelo gesto de me presentear com sua coleção de livros recheados de boa prosa e poesia.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Woody Allen
Elenco: Kurt Fuller, Owen Wilson, Marion Cotillard, Michael Sheen, Tom Hiddleston, Kathy Bates, Rachel McAdams, Gad Elmaleh, Carla Bruni, Nina Arianda, Mimi Kennedy, Corey Stoll, Manu Payet
Produção: Letty Aronson, Jaume Roures, Stephen Tenenbaum
Roteiro: Woody Allen
Fotografia: Darius Khondji
Trilha Sonora: Stephane Wrembel
Duração: 94 min.
Ano: 2011
País: EUA/ Espanha
Gênero: Comédia Dramática

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Sessão Cinema - Estômago


Entre comer e ser comido, o estereotipado descobre uma terceira via para garantir sua dignidade. (Geo Euzébio)

O cinema nacional vem crescendo a cada ano, reivindicando seu papel na história da maior arte do século XX. Os filmes brasileiros recebem prêmios e são aclamados pela crítica e agora conseguem também o reconhecimento do público que, cada vez mais, lota as salas de cinema.
Ganhador do prêmio de melhor filme, eleito pelo público, no festival do Rio em 2007, Estômago poderia ter sido apenas mais um filme baseado na idéia clichê do nordestino que vai para cidade grande em busca de dias melhores. Mas com pitadas de bom humor e “Alecrim” a história vai muito além do previsível que o contexto pode sugerir.
Dirigido por Marcos Jorge o filme começa com Raimundo Nonato (João Miguel) contado a história do nascimento de um queijo nobre. Recheada de sabores, aromas e odores a história se passa em dois tempos, narrada através flashbacks, que, de tão sutis, são um deleite que aguçam a curiosidade. Em um deles Nonato está dividindo a cela com outros presos, usando seus dotes culinários para garantir a sobrevivência diária. No outro ele se aventura pela cozinha italiana depois de ser recrutado como assistente de cozinha por Giovanni (Carlos Brianni) refinando um talento, até então, desconhecido. E no meio disso tudo surge Iria (Fabíula Nascimento) que se farta com a comida de Nonato e em troca lhe mostra outras delícias da vida.
Nonato, em todos os tempos do filme, aparenta extrema fragilidade, que transpõe à tela a fábula do lobo em pele de cordeiro. E não por maldade, ele usa essa arma com maestria, afinal, quem nunca ouviu o dito popular que as pessoas são pegas pelo estômago.
Estômago é um grande filme nacional, não é à toa ter ganhado tantos prêmios, sua força está na qualidade das atuações, principalmente no carisma de Raimundo Nonato que subverte a ordem das coisas transformando o esperado em algo, totalmente e deliciosamente, surpreendente.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Mistério de Vida

Quem nunca utilizou um clichê para definir algo comum?
Os clichês, geralmente, são frases de efeito que resumem aquilo que sabemos, mas escolhemos não perceber. Acho que eles servem para nos lembrar outra máxima do dia a dia, a de que a vida está nos pequenos detalhes.
A vida é um mistério sem critério.
A princípio parece uma conclusão filosófica, mas é mais simples que isso.
A vida é a arte de não revelar todas as coisas, de não dizer todos os detalhes, de não explicar todos os desejos, de não contar todos os segredos.
Penso que é esse ar de mistério que impulsiona a vida, que nos faz querer a próxima conversa, ler as próximas linhas, ver o próximo programa ou, simplesmente, assistir a continuação de um filme.
Não há nada muito elaborado, mas por ser uma arte é necessário certo cuidado para manter a atenção. É mais ou menos como um diretor editando um filme, ele precisa ter delicadeza e sensibilidade para escolher o corte certo e colocar tudo numa sequência que mantenha o expectador ávido em saber o que virá.
Quantas vezes você já se pegou pensando se a sequência escolhida para a próxima cena do capítulo da sua vida era a mais adequada? Se ela seria capaz de manter o interesse do seu expectador? Quantas vezes você já parou para pensar se há na sua vida algum expectador?
Agora eu poderia dizer algo bem clichê, como por exemplo, de que você é o grande expectador da sua vida. Mas isso parece mais uma grande baboseira tirada de um livro de auto ajuda. Afinal, ninguém é uma ilha para viver só. E por não quererermos viver sós é que amamos, escrevemos em blogs, damos telefonemas.
Se o critério da vida é ser mistério concluo que a vida da vida está na clareza das entrelinhas, na percepção de que o silêncio diz mais que as palavras e de que, até os melhores diretores tem seus fracassos de bilheteria.

terça-feira, novembro 22, 2011

Quando nasce um escritor?

Muito bom acompanhar o nascimento de um escritor, ver alguém vencer as barreiras e dividir seus pensamentos com o outro.
Dia desses tive a grata surpresa de receber o primeiro livro do meu sobrinho Matheus. Ele tem 10 anos e escreveu o livro como projeto da escola, mas as ideias dele me surpreenderam, uma noção sobre a vida que eu não tinha nessa idade. Não sei se ele vai seguir carreira, mas é bacana acompanhar o nascimento de uma ideia, participar de um momento tão bacana na vida de alguém.
Não sei precisar quando surgiu em mim a vontade de escrever, me lembro que mesmo antes de ser alfabetizada eu contava estórias baseadas nas figuras que via nos livros. Acho que logo que aprendi a ler a escritora (permitam-me essa pequena pretensão) que pulsava dentro de mim ganhou vida.
Desde muito cedo já colecionava diários e na escola tudo relativo a escrita me chamava a atenção, fui jornalista, historiadora, enfim, se era para contar uma estória lá estava eu.
Quando o mundo dos blogs começou não tive dúvidas que aquela seria a minha via para mostrar as pessoas as  coisas que escrevo. No começo foi difícil porque para mim escrever sempre foi expor meus sentimentos e nos meus textos me via vulnerável, então comecei a desenvolver um jeito de dizer sem querer dizer, de me mostrar sem revelar demais. Houve um tempo que comecei a considerar a exposição muito grande e cogitei e ideia de parar de escrever em público (afinal é meio isso que acontece quando a gente publica as coisas num blog). Só consegui superar essa fase quando assisti a uma entrevista de Marta Medeiros em que ela dizia que seus textos sempre traziam algo da sua experiência, mesmo que fosse ficção era impossível dissociar a pessoa escritora da persona que habitava os textos.
Foi a partir dessa entrevista que relaxei e percebi que a minha essência sempre estaria naquilo que eu escrevesse.
Não sou uma escritora reconhecida como a Marta ou outras tantas que admiro, mas no meu mundinho tenho aquelas pessoas que admiram as coisas que escrevo, tenho o amigo que se diz siderado nas coisas que escrevo e a amiga que sempre quer saber qual a ideia original, o que me moveu. Outro dia recebi um email dessa amiga, pedindo que eu "esmagasse com palavras as entrelinhas" porque ela estava curiosa e queria saber o porque do porque... Acho divertido e lisonjeiro porque sempre quis conversar com meus autores favoritos e fazer as mesmas perguntas que ela me faz.
Essa semana tive uma surpresa boa, o amigo, aquele siderado nas coisas que escrevo, resolveu me mandar um texto seu, naquele momento fiquei muito feliz porque lá estava eu, mais uma vez, acompanhando o nascimento de um escritor. O texto, recheado de um humor cortante, contava a história do seu nascimento e a presença de um anjo roto e mal trapilho... A escrita dele é tão boa que espero que não lhe falte inspiração e que, em breve, mais gente possa  se deliciar com as estórias contadas por ele.
Quanto a mim, só me resta agradecer, quem sabe ao anjo roto e mal trapilho, por ter trazido ao mundo mais um excelente escritor e ter feito dele meu amigo...

segunda-feira, setembro 19, 2011

Sessão Cinema – O Solista



Filmes baseados em fatos reais podem ser um completo desastre quando partem para a exploração piegas de contar a vida de alguém. Não é o que acontece com essa belíssima película dirigida por Joe Wright, protagonizada por Robert Downey Jr e Jamie Fox.
O filme conta a história de Steve Lopez (Robert Downey Jr), um ávido repórter do Los Angeles Times, que está sempre em busca de histórias interessantes. Disposto a fazer o melhor no trabalho Steve tem uma vida pessoal despedaçada onde sua grande preocupação é encontrar um modo de afugentar os guaxinins que insistem em destruir seu jardim. Até que um dia, andando pelas ruas caóticas de Los Angeles, ele ouve uma música tão linda, capaz de silenciar todo barulho daquela cidade pungente. É nesse momento que Steve conhece Nathaniel Ayers (Jamie Foxx) morador de rua que toca um violino com apenas duas cordas de forma brilhante.
A reação de contentamento se mistura ao sentimento de tristeza ao se deparar com tamanho talento desperdiçado num túnel sujo da cidade. Logo Steve percebe que Nathaniel sofre de esquizofrenia e por isso não conseguiu dar continuidade a sua carreira musical iniciada ainda na infância e quase perdida desde o abandono de Juliard, uma das melhores escolas de música do mundo.
Como grande repórter que é Steve Lopez resolve contar a história de Nathaniel em sua coluna no jornal. Ao ler a matéria uma leitora doa um violoncelo ao músico e isso liga a vida do jornalista a do músico de forma comovente, criando um laço de amizade capaz de salvar a vida de ambos.
O Solista é desses filmes tocantes, que emociona desde o início, a história é contada de um jeito tão maravilhoso e encantador que vai além do que os olhos podem ver, é algo para ser sentido.
O diretor faz um trabalho surpreendente e permite aos atores interpretações magníficas que ultrapassam a simples história de um jornalista que encontra um músico mendigo.
Os personagens estão numa jornada de volta para o lar que não se traduz apenas no espaço físico, mas sim naquele lugar dentro de cada um que traz uma plenitude capaz de transformar vidas que até então pareciam, irremediavelmente, perdidas.
Ficha Técnica
Título original: (The Soloist)
Direção: Joe Wright
Atores: Jamie Foxx, Robert Downey Jr., Michael Bunin, Marcos de Silvas.
Duração: 117 min
Gênero: Drama
   

quarta-feira, junho 29, 2011

Heitor e Miguel

No dia 17 de junho o celular tocou de madrugada, a voz aflita do meu cunhado dizia que os meninos iriam nascer dois meses antes do previsto.

Naquele momento chorei em silêncio e pedi a proteção divina para minha irmã e seus filhinhos.

Luiza chegou a Montes Claros, sentindo fortes contrações. A médica confirmou o início do trabalho de parto. Diante da situação de risco ligou primeiro para a Santa Casa, mas foi informada que não havia leitos disponíveis no CTI neonatal, a mesma resposta foi dada pelo HU. Mesmo com a negativa de ambos os hospitais nossa médica, Dra. Juciméia, nos orientou a ir ao HU.

Quando chegamos ao Hospital Luiza recebeu a qualificação laranja, ou seja, o caso era urgente, precisava de atendimento imediato.

Na maternidade fomos atendidos pelo Dr. Anderson, natural de Itacarambí. Ele confirmou a falta de leitos no CTI neonatal e disse que a equipe faria o possível para cuidar dos bebês, mas que sem o CTI não havia garantias quanto à recuperação dos meninos.

Naquele momento senti como se tivesse sido atropelada por um caminhão, uma sensação de impotência me invadiu, estava ali vivendo o drama do descaso que acomete o Brasil e especialmente a região Norte Mineira.

O médico procedeu à internação da minha irmã, mas ele também não se conformava que os meninos tivessem que nascer daquele jeito.

Então num momento de luz ele se lembrou do CTI neonatal de Janaúba e como Luiza já estava no “sistema” se houvesse os leitos lá a prioridade era dela.

Na mesma hora liguei para André Rocha, amigo e secretário de saúde de Januária, pedindo que ele nos ajudasse. Enquanto isso o Dr. Anderson ligava para Janaúba e confirmava com o Dr. Luis a existência dos leitos para atender os meninos.

Em poucos minutos tivemos que tomar a decisão de deslocar uma grávida de gêmeos, em franco trabalho de parto, para Janaúba, a 120 km de Montes Claros.

Tomada a decisão de ir para Janaúba partimos para a procura de uma ambulância, a médica responsável pela obstetrícia do HU, Dra. Edimiuza, se desdobrou ao telefone tentando encontrar um carro disponível, mas a dificuldade era grande. Luiza já estava com quatro centímetros de dilatação e a espera tornava tudo mais complicado.

Então, mais uma vez, o celular tocou, do outro lado, era o amigo André que havia disponibilizado uma ambulância para levar minha irmã até Janaúba.

Acompanhada pelo Dr. Anderson, uma enfermeira (infelizmente não sei o nome) e meu cunhado, Luiza saiu de Montes Claros por volta do meio dia. A presteza do motorista foi fundamental, pois por pouco Heitor nasceria na ambulância.

Em Janaúba o parto foi feito pelo Dr. Luis (colega de Faculdade do meu querido pediatra Dr. Eustáquio Azevedo) e o pediatra Dr. Hebert cuidou dos meninos. Como previsto pelo Dr. Anderson tanto Heitor quanto Miguel precisaram dos cuidados que só poderiam ser dados em uma UTI neonatal, ambos foram para o respirador pois o pulmão não estava maduro.

Ir para Janaúba foi à melhor decisão e agradeço todos os dias pelo CTI que existe naquela cidade. Mas ao mesmo tempo me sinto indignada porque o descaso com a saúde pública quase tirou a chance de sobrevivência de Heitor e Miguel.

Depois desse episódio me pego pensando em quantas pessoas não tiveram a mesma sorte que a nossa família. Fico pensando em quantas crianças ainda vão morrer, em quantos pais, mães, tias, avós que não terão a chance de ver seus filhos, sobrinhos e netos crescerem. Isso não está certo.

Não quero criticar este ou aquele político, sei que a questão é maior, não é possível apontar um único culpado porque são anos de descaso, anos de farra com o dinheiro público, anos de corrupção, mas naquele dia percebi que a mazela da saúde se dá em cadeia, minha irmã saiu de Januária e foi parar em Janaúba porque o “sistema” não funciona.

Até o dia 17 de junho nunca havia sentido tão de perto o sofrimento de quem depende da saúde pública, até aquele dia achava possível viver a vida sem pensar em como a política afeta tudo, foi preciso ficar diante de um cenário tão desolador para compreender a dimensão das coisas.

Como disse não cabe a mim apontar culpados, isso seria leviano, mas talvez seja preciso refletir sobre as nossas escolhas e como elas podem afetar a vida de muita gente. Pode parecer uma simples decisão, mas as conseqüências virão e atingirão a todos, sem exceção.

Passado o sufoco quero agradecer a Nossa Senhora Aparecida que ouviu todas as minhas preces e colocou no caminho da minha irmã e dos meus sobrinhos verdadeiros Anjos da Guarda, em especial agradeço a equipe do Hospital FundaJan de Janaúba pelo carinho dedicado aos meninos.

Eles seguem na UTI, mas agora já respiram sozinhos. Miguel, por ser o maior, já está mamando no peito e na quarta-feira tomou o primeiro banho de verdade. Heitor, o menor, ainda se alimenta através de uma sonda e toma banho de “gato” como diz minha irmã. Eles estão bem, se recuperando e isso traz muita alegria.

No fim deu tudo certo, como disse o Dr. Anderson, mas o meu desejo é que ninguém precise passar pelo que passamos e que todas as crianças tenham direito de nascer em suas cidades.