terça-feira, junho 26, 2012

Sessão Cinema – Snow Cake (Um Certo Olhar)

Um filme para uma plateia exigente que ainda acredita que o cinema pode iluminar a condição humana.

Há muito tempo queria escrever sobre Snow Cake (Um Certo Olhar), mas não encontrava palavras para descrever meu sentimento. Depois de um tempo li uma crítica dizendo que se tratava de um filme sobre amizade. Acreditei nisso até agora.
Mas revendo o filme me sinto pronta para chegar a minha própria conclusão.
E para mim Snow Cake trata de redenção. Aquele sentimento de quem ganha uma segunda chance capaz de mostrar que os erros não definem quem somos e os acertos são apenas parte de uma escolha.
A redenção pode acontecer através da amizade, do amor e até da tragédia. Tudo isso existe nesse filme e confesso não saber dizer por que demorei tanto para entender.
Talvez, pensando melhor, a resposta seja simples...
Snow Cake é feito poesia, toca, comove, sem precisar explicação.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Marc Evans
Elenco: Alan Rickman, Sigourney Weaver, Carrie-Anne Moss, David Fox, Jayne Eastwood, Emily Hampshire.
Produção: Gina Carter, Andrew Eaton, Jessica Daniel, Niv Fichman
Roteiro: Angela Pell
Fotografia: Steve Cosens
Trilha Sonora: Broken Social Scene
Duração: 112 min.
Ano: 2006
País: Reino Unido/ Canadá
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Estúdio: Revolution Films

quinta-feira, abril 19, 2012

Sessão Cinema - Mutum


É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte... Guimarães Rosa

Familiar, assim soou Mutum, mas essa sensação não se deve só a magnífica fotografia, a exuberância da paisagem do sertão e ao modo peculiar de falar dos sertanejos. A verdade é que esses elementos, somados a sensível direção de Sandra Kogut e a belíssima interpretação de Thiago me fizeram lembrar que “o sertão é o mundo e, contraditoriamente, cabe dentro da gente”.
O filme é inspirado na obra Campo Geral de Guimarães Rosa, digo isso porque não se trata de uma adaptação propriamente dita, Sandra Kogut deu ao roteiro uma liberdade que permitiu aos atores, especialmente a Thiago, que a história fosse contada nos termos do sertão atual. E por conta dessa atitude, um tanto arriscada, é verdade, Mutum se transformou numa obra prima, fazendo jus ao legado roseano.
O filme conta a história de Thiago, um garoto de dez anos que vive no Mutum, lugar isolado do sertão de Minas Gerais. Thiago é um menino diferente e é através dos seus olhos que enxergamos o mundo nebuloso dos adultos.
Por seu olhar vamos conhecendo cada personagem que compõe essa história, a mãe amorosa, o irmão e amigo Felipe, o tio conselheiro e o pai violento que considera a sensibilidade um luxo que ele mesmo não pode se permitir.
Nesse ambiente, Thiago, um menino cheio de sentimentos, precisa confrontar e descobrir o mundo ao mesmo tempo em que aprende a deixá-lo.
Uma película sublime que será exibida pelo projeto Cine Sesc, na próxima quarta-feira, dia 25 de abril, às 19 horas, nas dependências do SESC Januária.
Informações e reservas pelo telefone 3621-1089, ramal 205 com Rosinha.

quarta-feira, abril 04, 2012

Sessão Cinema – Os Incompreendidos


François Truffaut foi um dos fundadores do movimento cinematográfico francês conhecido como Nouvelle Vague que se caracterizava pelo mote contestatório que movia jovens diretores no desejo de transgredir as regras do cinema comercial.
Truffaut é considerado um dos maiores ícones da história do cinema do século XX tendo dirigido mais de 26 filmes.
Apenas essa descrição bastaria, mas a gente sempre quer saber tudo e por isso é importante dizer que o filme, Os Incompreendidos, foi indicado ao Oscar na categoria de melhor roteiro e sagrou-se vencedor no Festival de Cannes levando o prêmio de melhor direção.
Para aguçar ainda mais a curiosidade direi também que em seu primeiro longa-metragem Truffaut dirigiu um filme autobiográfico que conta a história de Antoine Doinel um garoto de 14 anos que se rebela contra o autoritarismo da escola e a rejeição dos pais, sendo o personagem considerado o alter-ego do diretor. Os Incompreendidos é o primeiro de uma série de cinco filmes que retrata as diferentes fases da vida do mesmo personagem.
Mas pensando bem não são esses atributos que fazem o filme ser maravilhoso, o mais importante, além dos prêmios e de todo reconhecimento, é o fato de Truffaut trazer a tela um jeito poético de contar as agruras da adolescência. É a sua habilidade de mostrar como “problemas” comuns podem ser amplificados a um ponto desmedido, como o tratamento reacionário pode interferir na vida de um jovem quase o levando a um caminho sem volta. E como o ato de se rebelar pode ser uma maneira de fugir de um destino que parece fatal.
É uma película ímpar onde o expectador é testemunha da genialidade de um diretor, um trabalho de sensibilidade capaz de transformar a atuação de um jovem ator numa dessas raridades que dá ao cinema o título de sétima arte.
Aproveito o ensejo para convidar os amigos a assistirem a próxima sessão do Cine Sesc no dia 11 de abril, as 19 horas, nas dependências do Sesc Januária. O filme exibido será Entre os Muros da Escola, dirigido por Laurent Cantet. Imperdível!

quinta-feira, março 29, 2012

Sessão Cinema - Nós Que Aqui Estamos, Por Vós Esperamos


Primeiro longa-metragem de Marcelo Masagão, um dos fundadores do cinema do minuto e figura conhecida da cena do cinema experimental brasileiro.
Nós Que Aqui Estamos, Por Vós Esperamos aborda o século XX e é construído através de recortes de imagens de arquivo, é um filme mudo, preto e branco, sem nenhum tipo de diálogo, embalado por belas canções e breves frases.
Além das imagens de pessoas conhecidas que marcaram o século XX, o diretor traz personagens anônimos e cria novas histórias a partir da trajetória de pessoas comuns.
O filme teve um baixíssimo orçamento, dos 140 mil reais gastos, mais da metade foi usada para o pagamento de direitos autorais das imagens utilizadas, isso mostra que um bom filme não precisa gastar rios de dinheiro.
É um filme raro, com um tom poético onde qualquer adjetivo se torna pequeno diante da sua grandeza, dessas coisas apaixonantes e encantadoras que fazem a existência valer a pena.
E o melhor é que essa obra prima do cinema nacional será apresentada na próxima quarta-feira, dia 04 de abril, às 19 horas através do Projeto Cine Sesc.
Convido os amigos leitores para prestigiarem essa bela iniciativa e confirmarem sua presença através do meu email.
Aguardo vocês no Cine Sesc!!!

quinta-feira, março 01, 2012

Atrás dos Olhos Seus


A noite começara bonita, o céu cortado por um tom róseo que se expandia ao laranja. Roberto nem se preocupou em procurar por uma sombra, estacionou o carro na porta do hospital. A rua ia perdendo o movimento, com o cair da noite o ritmo ia ficando mais lento e achar uma vaga privilegiada não fora difícil.
Lá dentro Dona Rosa se recuperava da cirurgia de hérnia, era o tipo de mulher que já havia sido bonita. Ela se alegrou ao ver o filho chegar para visitá-la, sabia que não era fácil para ele sair de casa depois que o Mal de Parkinson se agravou. Conversaram sem pressa como quem degusta a primeira conversa, era como se estivessem se reencontrando.
Roberto olhou para o relógio e percebeu que já havia passado a hora de tomar a medicação que amenizava seus tremores. Lamentou não poder ficar com aquela nova mulher, antes de ir embora a abraçou com cuidado e beijou a sua testa.
Desceu por uma grande rampa se sentindo um novo homem, capaz de reconquistar tudo aquilo que havia perdido, inclusive Elisa... Principalmente Elisa...
Antes de entrar no carro pensou que iria tentar mais uma vez, só iria passar em casa para tomar o remédio porque os tremores já começavam a aparecer.
Sentou-se no banco, olhou ao seu redor e sem saber como e porque desapareceu...
Agora, no banco do carro, havia um corpo, os olhos abertos, as mãos sobre o colo e o início do fim.
O cérebro parou, depois o coração, mas os olhos não se deram conta do fim de Roberto, estavam abertos, ainda vivos e podiam ver a vida que passava do lado de fora do carro. Eles testemunharam a diminuição do ritmo da rua. Um casal apaixonado namorava na praça. Tentaram pensar em Elisa e seus cabelos loiros, mas algo os impedia, era a falta de um cérebro vivo. Naquele instante tudo que se tinha era o presente, o momento fugaz que a cada segundo se esvaia com a morte das células.
À medida que a noite adensava o corpo de Roberto ia se tornando cada vez mais rígido, o sangue depositado nas extremidades formavam hematomas e iam provocando a morte lenta dos tecidos, mas os olhos continuavam vivos sem saber que contemplavam o brilho da lua cheia pela última vez.
Logo chegou o dia e por causa do calor do sol e dos gases expelidos pelo cadáver os vidros ficaram embaçados e olhos testemunharam o correr da vida começar de novo. As pessoas passavam apressadas sem perceber que dentro do carro havia um homem morto com olhos ainda vivos.
O destino é mesmo irônico, Roberto estava a poucos metros de um hospital onde o intuito é salvar vidas, se ele pudesse pensaria no que teria acontecido se tivesse demorado mais alguns minutos com a mãe. Talvez pudesse ter sido salvo ou quem sabe seus olhos ávidos em viver pudessem ter sido usados num transplante.
De repente o telefone toca, para os olhos o som produzido pelo aparelho não significava nada, mas de alguma forma perceberam a luz que acendia no visor. Já não era possível ler, mas do outro lado estava Elisa com a intenção de acertar todos os detalhes do divórcio. Obviamente ficou furiosa com a falta de consideração de Roberto em não atender, pensou que isso, somado a tantas outras coisas, é que lhe davam a certeza de estar fazendo o certo. Mal sabia ela que Roberto não mais existia e que seu corpo apodrecia dentro de um carro.
O dia foi passando e os olhos impassíveis testemunhavam a solidão, alheios a morte iminente. Aos poucos as últimas células foram devorando umas as outras, na tentativa vã de sobreviver, até que chegaram aos olhos que a essa altura já estavam queimados pelo sol causticante. Eles sequer esboçaram reação já estavam cansados de tamanha indiferença, num último ato tentaram recordar do rosto de Elisa, mas quando a imagem estava quase se formando o que ainda restava vivo morreu de vez...

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Sessão Cinema - Apenas Uma Vez (Título Original: Once)



Renato Russo disse certa vez que disciplina é liberdade. Muitos filmes independentes pecam no quesito disciplina e se atrapalham na ânsia de criar algo novo, que de tão cult se tornam incompreensíveis.
Apenas uma vez é desses filmes raros que não tem medo de arriscar ao falar do amor sem fazer disso um clichê, a linguagem é clara, real, filmada em câmera digital sem tripé.
O baixo orçamento não compromete a história desse casal de músicos que se conhece nas ruas de Dublin. Ela (Markéta Irglová) é uma pianista desconhecida, deixou o marido na Tchecoslováquia para tentar dar uma vida melhor à filha e vende flores na rua. Ele (Glen Hansard), desiludido com o amor, conserta aspiradores de pó na empresa do pai e nas horas vagas canta nas ruas.
Os nomes dos personagens nunca são ditos e esse toque sutil e delicado mostra o contraponto desse filme que descarta o clichê do amor romântico. O diretor constrói a história de duas pessoas reais, que poderiam ser qualquer um nós, vivendo a alegria e o medo de se apaixonar.
Nessa película a música conta a história dos personagens sem parecer piegas ou forçada, tudo é muito natural, sem longos diálogos que tentam explicar o inexplicável.
Em Apenas Uma Vez a história de amor ultrapassa o mero final feliz que torna as relações amorosas tão limitadas, as expectativas são engolidas pela realidade, mas a emoção está presente nos pequenos detalhes e fica impossível não se apaixonar por cada pedaço, por cada música, por cada gesto.
É um filme manso, que trata do mais genuíno amor, aquele momento que acontece raramente e não, necessariamente, precisa ser vivido para ser bonito.
Uma experiência sublime que espero não ter sido única, pois, como bem disse Pedro Miranda, merecemos filmes como esse MAIS de uma vez.

Ficha Técnica
Título Original:Once
Gênero:Drama
Duração:1 hr 25 min
Ano de lançamento: 2006
Distribuidora: Fox Searchlight Pictures / Imagem Filmes
Direção: John Carney
Roteiro: John Carney
Produção: Martina Niland
Música: Glen Hansard e Markéta Irglová
Fotografia: Tim Fleming
Direção de Arte: Riad Karin
Figurino: Tiziana Corvisieri
Edição: Paul Mullen

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Sessão Cinema - Meia Noite em Paris


A semana começou com as indicações ao Oscar que acontece no dia 26 de fevereiro, em Los Angeles, no teatro Kodak.
Entre os indicados ao prêmio de melhor filme está Meia Noite em Paris, escrito e dirigido por Woody Allen, que também figura na categoria de melhor roteiro original e produção.
Meia Noite em Paris é um filme envolvente, marcado por grandes atuações. Owen Wilson surpreende no papel de Gil, um roteirista cansado de Hollywood que sonha em encontrar na cidade luz o habitat perfeito para se tornar um grande escritor. Rachel McAdams completa o enredo interpretando Ignes, noiva de Gil.
Gil é um sujeito deslocado, ele não se encaixa no padrão esperado para ele, fazer compras, gastar dinheiro em restaurantes sofisticados ou ter conversas pseudointelectuais não o comovem.
Para ele o seu tempo não é agora, se pudesse viveria na Paris chuvosa dos anos 20 embalado pelas canções de Coler Porter e tendo como inspiração Hemingway ou F. Scott Fitzgerald.
No filme o expectador é transportado a Paris dos anos 20 e tem a chance de saborear toda magia existente naquela época. Woody Allen capta com maestria aquela sensação experimentada pela maioria das pessoas de pensar em como teria sido viver em outro tempo.
A princípio parece perfeito viver em outra época, desfrutar da companhia de ícones artísticos no começo de suas carreiras, perceber que eles ainda não se dão conta da sua grandeza, mas logo isso se dissipa. E a pergunta volta: Será mesmo essa a grande época?
A resposta, parafraseando Heitor Augusto, está na delicadeza de viver o presente trazendo do passado o que interessa para se criar hiatos de felicidade no hoje. E este é o grande acerto de Allen, que retoma a sua melhor forma nesse filme comovente.
E por falar em comovente aproveito para agradecer ao amigo Renato Macayba pelo gesto de me presentear com sua coleção de livros recheados de boa prosa e poesia.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Woody Allen
Elenco: Kurt Fuller, Owen Wilson, Marion Cotillard, Michael Sheen, Tom Hiddleston, Kathy Bates, Rachel McAdams, Gad Elmaleh, Carla Bruni, Nina Arianda, Mimi Kennedy, Corey Stoll, Manu Payet
Produção: Letty Aronson, Jaume Roures, Stephen Tenenbaum
Roteiro: Woody Allen
Fotografia: Darius Khondji
Trilha Sonora: Stephane Wrembel
Duração: 94 min.
Ano: 2011
País: EUA/ Espanha
Gênero: Comédia Dramática

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Sessão Cinema - Estômago


Entre comer e ser comido, o estereotipado descobre uma terceira via para garantir sua dignidade. (Geo Euzébio)

O cinema nacional vem crescendo a cada ano, reivindicando seu papel na história da maior arte do século XX. Os filmes brasileiros recebem prêmios e são aclamados pela crítica e agora conseguem também o reconhecimento do público que, cada vez mais, lota as salas de cinema.
Ganhador do prêmio de melhor filme, eleito pelo público, no festival do Rio em 2007, Estômago poderia ter sido apenas mais um filme baseado na idéia clichê do nordestino que vai para cidade grande em busca de dias melhores. Mas com pitadas de bom humor e “Alecrim” a história vai muito além do previsível que o contexto pode sugerir.
Dirigido por Marcos Jorge o filme começa com Raimundo Nonato (João Miguel) contado a história do nascimento de um queijo nobre. Recheada de sabores, aromas e odores a história se passa em dois tempos, narrada através flashbacks, que, de tão sutis, são um deleite que aguçam a curiosidade. Em um deles Nonato está dividindo a cela com outros presos, usando seus dotes culinários para garantir a sobrevivência diária. No outro ele se aventura pela cozinha italiana depois de ser recrutado como assistente de cozinha por Giovanni (Carlos Brianni) refinando um talento, até então, desconhecido. E no meio disso tudo surge Iria (Fabíula Nascimento) que se farta com a comida de Nonato e em troca lhe mostra outras delícias da vida.
Nonato, em todos os tempos do filme, aparenta extrema fragilidade, que transpõe à tela a fábula do lobo em pele de cordeiro. E não por maldade, ele usa essa arma com maestria, afinal, quem nunca ouviu o dito popular que as pessoas são pegas pelo estômago.
Estômago é um grande filme nacional, não é à toa ter ganhado tantos prêmios, sua força está na qualidade das atuações, principalmente no carisma de Raimundo Nonato que subverte a ordem das coisas transformando o esperado em algo, totalmente e deliciosamente, surpreendente.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Mistério de Vida

Quem nunca utilizou um clichê para definir algo comum?
Os clichês, geralmente, são frases de efeito que resumem aquilo que sabemos, mas escolhemos não perceber. Acho que eles servem para nos lembrar outra máxima do dia a dia, a de que a vida está nos pequenos detalhes.
A vida é um mistério sem critério.
A princípio parece uma conclusão filosófica, mas é mais simples que isso.
A vida é a arte de não revelar todas as coisas, de não dizer todos os detalhes, de não explicar todos os desejos, de não contar todos os segredos.
Penso que é esse ar de mistério que impulsiona a vida, que nos faz querer a próxima conversa, ler as próximas linhas, ver o próximo programa ou, simplesmente, assistir a continuação de um filme.
Não há nada muito elaborado, mas por ser uma arte é necessário certo cuidado para manter a atenção. É mais ou menos como um diretor editando um filme, ele precisa ter delicadeza e sensibilidade para escolher o corte certo e colocar tudo numa sequência que mantenha o expectador ávido em saber o que virá.
Quantas vezes você já se pegou pensando se a sequência escolhida para a próxima cena do capítulo da sua vida era a mais adequada? Se ela seria capaz de manter o interesse do seu expectador? Quantas vezes você já parou para pensar se há na sua vida algum expectador?
Agora eu poderia dizer algo bem clichê, como por exemplo, de que você é o grande expectador da sua vida. Mas isso parece mais uma grande baboseira tirada de um livro de auto ajuda. Afinal, ninguém é uma ilha para viver só. E por não quererermos viver sós é que amamos, escrevemos em blogs, damos telefonemas.
Se o critério da vida é ser mistério concluo que a vida da vida está na clareza das entrelinhas, na percepção de que o silêncio diz mais que as palavras e de que, até os melhores diretores tem seus fracassos de bilheteria.

terça-feira, novembro 22, 2011

Quando nasce um escritor?

Muito bom acompanhar o nascimento de um escritor, ver alguém vencer as barreiras e dividir seus pensamentos com o outro.
Dia desses tive a grata surpresa de receber o primeiro livro do meu sobrinho Matheus. Ele tem 10 anos e escreveu o livro como projeto da escola, mas as ideias dele me surpreenderam, uma noção sobre a vida que eu não tinha nessa idade. Não sei se ele vai seguir carreira, mas é bacana acompanhar o nascimento de uma ideia, participar de um momento tão bacana na vida de alguém.
Não sei precisar quando surgiu em mim a vontade de escrever, me lembro que mesmo antes de ser alfabetizada eu contava estórias baseadas nas figuras que via nos livros. Acho que logo que aprendi a ler a escritora (permitam-me essa pequena pretensão) que pulsava dentro de mim ganhou vida.
Desde muito cedo já colecionava diários e na escola tudo relativo a escrita me chamava a atenção, fui jornalista, historiadora, enfim, se era para contar uma estória lá estava eu.
Quando o mundo dos blogs começou não tive dúvidas que aquela seria a minha via para mostrar as pessoas as  coisas que escrevo. No começo foi difícil porque para mim escrever sempre foi expor meus sentimentos e nos meus textos me via vulnerável, então comecei a desenvolver um jeito de dizer sem querer dizer, de me mostrar sem revelar demais. Houve um tempo que comecei a considerar a exposição muito grande e cogitei e ideia de parar de escrever em público (afinal é meio isso que acontece quando a gente publica as coisas num blog). Só consegui superar essa fase quando assisti a uma entrevista de Marta Medeiros em que ela dizia que seus textos sempre traziam algo da sua experiência, mesmo que fosse ficção era impossível dissociar a pessoa escritora da persona que habitava os textos.
Foi a partir dessa entrevista que relaxei e percebi que a minha essência sempre estaria naquilo que eu escrevesse.
Não sou uma escritora reconhecida como a Marta ou outras tantas que admiro, mas no meu mundinho tenho aquelas pessoas que admiram as coisas que escrevo, tenho o amigo que se diz siderado nas coisas que escrevo e a amiga que sempre quer saber qual a ideia original, o que me moveu. Outro dia recebi um email dessa amiga, pedindo que eu "esmagasse com palavras as entrelinhas" porque ela estava curiosa e queria saber o porque do porque... Acho divertido e lisonjeiro porque sempre quis conversar com meus autores favoritos e fazer as mesmas perguntas que ela me faz.
Essa semana tive uma surpresa boa, o amigo, aquele siderado nas coisas que escrevo, resolveu me mandar um texto seu, naquele momento fiquei muito feliz porque lá estava eu, mais uma vez, acompanhando o nascimento de um escritor. O texto, recheado de um humor cortante, contava a história do seu nascimento e a presença de um anjo roto e mal trapilho... A escrita dele é tão boa que espero que não lhe falte inspiração e que, em breve, mais gente possa  se deliciar com as estórias contadas por ele.
Quanto a mim, só me resta agradecer, quem sabe ao anjo roto e mal trapilho, por ter trazido ao mundo mais um excelente escritor e ter feito dele meu amigo...

segunda-feira, setembro 19, 2011

Sessão Cinema – O Solista



Filmes baseados em fatos reais podem ser um completo desastre quando partem para a exploração piegas de contar a vida de alguém. Não é o que acontece com essa belíssima película dirigida por Joe Wright, protagonizada por Robert Downey Jr e Jamie Fox.
O filme conta a história de Steve Lopez (Robert Downey Jr), um ávido repórter do Los Angeles Times, que está sempre em busca de histórias interessantes. Disposto a fazer o melhor no trabalho Steve tem uma vida pessoal despedaçada onde sua grande preocupação é encontrar um modo de afugentar os guaxinins que insistem em destruir seu jardim. Até que um dia, andando pelas ruas caóticas de Los Angeles, ele ouve uma música tão linda, capaz de silenciar todo barulho daquela cidade pungente. É nesse momento que Steve conhece Nathaniel Ayers (Jamie Foxx) morador de rua que toca um violino com apenas duas cordas de forma brilhante.
A reação de contentamento se mistura ao sentimento de tristeza ao se deparar com tamanho talento desperdiçado num túnel sujo da cidade. Logo Steve percebe que Nathaniel sofre de esquizofrenia e por isso não conseguiu dar continuidade a sua carreira musical iniciada ainda na infância e quase perdida desde o abandono de Juliard, uma das melhores escolas de música do mundo.
Como grande repórter que é Steve Lopez resolve contar a história de Nathaniel em sua coluna no jornal. Ao ler a matéria uma leitora doa um violoncelo ao músico e isso liga a vida do jornalista a do músico de forma comovente, criando um laço de amizade capaz de salvar a vida de ambos.
O Solista é desses filmes tocantes, que emociona desde o início, a história é contada de um jeito tão maravilhoso e encantador que vai além do que os olhos podem ver, é algo para ser sentido.
O diretor faz um trabalho surpreendente e permite aos atores interpretações magníficas que ultrapassam a simples história de um jornalista que encontra um músico mendigo.
Os personagens estão numa jornada de volta para o lar que não se traduz apenas no espaço físico, mas sim naquele lugar dentro de cada um que traz uma plenitude capaz de transformar vidas que até então pareciam, irremediavelmente, perdidas.
Ficha Técnica
Título original: (The Soloist)
Direção: Joe Wright
Atores: Jamie Foxx, Robert Downey Jr., Michael Bunin, Marcos de Silvas.
Duração: 117 min
Gênero: Drama
   

quarta-feira, junho 29, 2011

Heitor e Miguel

No dia 17 de junho o celular tocou de madrugada, a voz aflita do meu cunhado dizia que os meninos iriam nascer dois meses antes do previsto.

Naquele momento chorei em silêncio e pedi a proteção divina para minha irmã e seus filhinhos.

Luiza chegou a Montes Claros, sentindo fortes contrações. A médica confirmou o início do trabalho de parto. Diante da situação de risco ligou primeiro para a Santa Casa, mas foi informada que não havia leitos disponíveis no CTI neonatal, a mesma resposta foi dada pelo HU. Mesmo com a negativa de ambos os hospitais nossa médica, Dra. Juciméia, nos orientou a ir ao HU.

Quando chegamos ao Hospital Luiza recebeu a qualificação laranja, ou seja, o caso era urgente, precisava de atendimento imediato.

Na maternidade fomos atendidos pelo Dr. Anderson, natural de Itacarambí. Ele confirmou a falta de leitos no CTI neonatal e disse que a equipe faria o possível para cuidar dos bebês, mas que sem o CTI não havia garantias quanto à recuperação dos meninos.

Naquele momento senti como se tivesse sido atropelada por um caminhão, uma sensação de impotência me invadiu, estava ali vivendo o drama do descaso que acomete o Brasil e especialmente a região Norte Mineira.

O médico procedeu à internação da minha irmã, mas ele também não se conformava que os meninos tivessem que nascer daquele jeito.

Então num momento de luz ele se lembrou do CTI neonatal de Janaúba e como Luiza já estava no “sistema” se houvesse os leitos lá a prioridade era dela.

Na mesma hora liguei para André Rocha, amigo e secretário de saúde de Januária, pedindo que ele nos ajudasse. Enquanto isso o Dr. Anderson ligava para Janaúba e confirmava com o Dr. Luis a existência dos leitos para atender os meninos.

Em poucos minutos tivemos que tomar a decisão de deslocar uma grávida de gêmeos, em franco trabalho de parto, para Janaúba, a 120 km de Montes Claros.

Tomada a decisão de ir para Janaúba partimos para a procura de uma ambulância, a médica responsável pela obstetrícia do HU, Dra. Edimiuza, se desdobrou ao telefone tentando encontrar um carro disponível, mas a dificuldade era grande. Luiza já estava com quatro centímetros de dilatação e a espera tornava tudo mais complicado.

Então, mais uma vez, o celular tocou, do outro lado, era o amigo André que havia disponibilizado uma ambulância para levar minha irmã até Janaúba.

Acompanhada pelo Dr. Anderson, uma enfermeira (infelizmente não sei o nome) e meu cunhado, Luiza saiu de Montes Claros por volta do meio dia. A presteza do motorista foi fundamental, pois por pouco Heitor nasceria na ambulância.

Em Janaúba o parto foi feito pelo Dr. Luis (colega de Faculdade do meu querido pediatra Dr. Eustáquio Azevedo) e o pediatra Dr. Hebert cuidou dos meninos. Como previsto pelo Dr. Anderson tanto Heitor quanto Miguel precisaram dos cuidados que só poderiam ser dados em uma UTI neonatal, ambos foram para o respirador pois o pulmão não estava maduro.

Ir para Janaúba foi à melhor decisão e agradeço todos os dias pelo CTI que existe naquela cidade. Mas ao mesmo tempo me sinto indignada porque o descaso com a saúde pública quase tirou a chance de sobrevivência de Heitor e Miguel.

Depois desse episódio me pego pensando em quantas pessoas não tiveram a mesma sorte que a nossa família. Fico pensando em quantas crianças ainda vão morrer, em quantos pais, mães, tias, avós que não terão a chance de ver seus filhos, sobrinhos e netos crescerem. Isso não está certo.

Não quero criticar este ou aquele político, sei que a questão é maior, não é possível apontar um único culpado porque são anos de descaso, anos de farra com o dinheiro público, anos de corrupção, mas naquele dia percebi que a mazela da saúde se dá em cadeia, minha irmã saiu de Januária e foi parar em Janaúba porque o “sistema” não funciona.

Até o dia 17 de junho nunca havia sentido tão de perto o sofrimento de quem depende da saúde pública, até aquele dia achava possível viver a vida sem pensar em como a política afeta tudo, foi preciso ficar diante de um cenário tão desolador para compreender a dimensão das coisas.

Como disse não cabe a mim apontar culpados, isso seria leviano, mas talvez seja preciso refletir sobre as nossas escolhas e como elas podem afetar a vida de muita gente. Pode parecer uma simples decisão, mas as conseqüências virão e atingirão a todos, sem exceção.

Passado o sufoco quero agradecer a Nossa Senhora Aparecida que ouviu todas as minhas preces e colocou no caminho da minha irmã e dos meus sobrinhos verdadeiros Anjos da Guarda, em especial agradeço a equipe do Hospital FundaJan de Janaúba pelo carinho dedicado aos meninos.

Eles seguem na UTI, mas agora já respiram sozinhos. Miguel, por ser o maior, já está mamando no peito e na quarta-feira tomou o primeiro banho de verdade. Heitor, o menor, ainda se alimenta através de uma sonda e toma banho de “gato” como diz minha irmã. Eles estão bem, se recuperando e isso traz muita alegria.

No fim deu tudo certo, como disse o Dr. Anderson, mas o meu desejo é que ninguém precise passar pelo que passamos e que todas as crianças tenham direito de nascer em suas cidades.

quarta-feira, junho 15, 2011

Cadê a moça?

Ando sumida...
Primeiro foi uma gripe daquelas que me abateu durante uma semana...
Agora é uma alguma "ite" que não me deixa pensar em nada... A inspiração até aparece, mas não tenho conseguido articular as palavras.
Arrisquei um texto sobre o filme O Iluminado, mas não saí do terceiro parágrafo.
Ah, falando em filmes recomendo Biutiful, é maravilhoso, algo "bunito" (acho que essa poderia ser a tradução do Silvio Santos) mesmo...
Bom, mas agora vou indo, só queria dar sinal de vida mesmo caso alguém tenha sentido falta da moça que vos fala...
Até breve...

sexta-feira, junho 03, 2011

Get it Right - Original Song Glee

Vou deixar a música falar por mim, ou melhor, falar para mim...

segunda-feira, maio 30, 2011

Sessão Cinema – Insolação

Guiada pela curiosidade do nome tive uma grata surpresa ao assistir Insolação, filme nacional dirigido pelo estreante Felipe Hirsh e Daniela Thomas.

É um filme difícil de classificar, mas tomo emprestadas as palavras de Celso Sabadin para dizer que é pura poesia.

Não é um filme fácil, com histórias lineares, não tem começo, meio e fim e isso intriga, perturba, incomoda, acho que pode não agradar a todos, pois é preciso um grau de abstração para mergulhar nas questões de cada personagem.

O filme tem um ar teatral e inicia com um monólogo interpretado por Paulo José sobre a busca insólita do amor. Talvez essa seja a única faceta constante em todos os personagens, a busca pelo amor.

As histórias se passam em Brasília que numa magnífica direção de arte e fotografia aparece vazia, abandonada, como um sonho que começa, é edificado, mas que depois perde o sentido.

Para mim a escolha de Brasília traz uma aridez tocante, porque, de certa forma, a cidade expressa essa solidão, mesmo na normalidade do dia-a-dia, no chamado plano piloto quase não se vê gente na rua e os carros passam rápido, tudo é muito longe, quase inalcançável, assim como a busca pelo amor.

Os personagens vivem histórias desconexas entre si que vão desde o menino que experimenta a ternura do primeiro amor por uma moça mais velha, vivida por Leandra Leal à inquietação de uma ninfomaníaca interpretada por Simone Spoladore. A propósito, Simone Spoladore está magnífica, ela traz uma humanidade cortante, doída a personagem, talvez uma de suas melhores interpretações.

Paulo José é um suicida mal sucedido que recita textos e versos numa tentativa de explicar o inexplicável do amor. O personagem traz um tom áspero e macio, quente e frio, terno e violento como água prestes a entrar em ebulição.

As falas são longas, às vezes permanece um silêncio aterrador, há uma monotonia necessária na construção de cada linha, mas que com abstração e paciência comove, toca no mais intimo do Ser humano.

Talvez pela raridade da obra seja tão difícil descrever, dar nome ao sentimento experimentado, quantificar a emoção. Sei que nem todo mundo verá a beleza que enxerguei, mas aí reside o mistério da arte e também do amor, algumas vezes a gente embarca, outras não. O importante é se permitir, ao menos, tentar.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Felipe Hirsch, Daniela Thomas

Elenco: Paulo José, Antonio Medeiros, Simone Spoladore, Leonardo Medeiros, André Frateschi, Maria Luisa Mendonça, Leandra Leal, Jorge Emil, Daniela Piepszyk, Emilio di Biasi.

Produção: Sara Silveira, Beto Amaral, Pedro Igor Alcântara, Maria Ionescu.

Roteiro: Will Eno, Sam Lipsyte

Fotografia: Mauro Pinheiro Jr.

Trilha Sonora: Arthur de Faria

Duração: 93 min.

Ano: 2009

País: Brasil

Gênero: Romance

Cor: Colorido

Distribuidora: Europa Filmes

Classificação: Livre

terça-feira, maio 24, 2011

Quase sem Querer - Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha

Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Sou tão tranqüilo e tão contente.

Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém.

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.

Tão correto e tão bonito;
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.

Agora só sei que não sei de nada, mas segundo a opinião especializada isso também é caminho.

Ainda não acredito nas possibilidades, ainda não me vejo como dizem, mas repito as palavras a mim mesma, com esperança que o potencial se concretize...

Por enquanto... Nonada... Reminiscências...

segunda-feira, maio 23, 2011

Sobre Ídolos

Desde a descoberta do Orkut sempre aceitei os convites para participar de redes sociais, isso porque acabei encontrando pessoas muito queridas que sem tais recursos dificilmente tivesse notícia.

No Brasil o Orkut virou fonte de grandes confusões, muitos perfis falsos o que afastou a classe artística.

Entretanto no twitter essas pessoas encontraram um caminho de comunicação, uma forma de interação com os fãs. Os artistas começaram a usar o twitter para dar suas opiniões se mostrando tão normais quanto qualquer um de nós pobres mortais.

Confesso que o twitter não é a rede social que mais acesso, mas há alguns dias acessei o site e lá estava o convite para a twittecam do Humberto Gessinger, vocalista do Engenheiros do Hawai.

Não sabia o que iria acontecer, nunca havia participado de tal evento, mas no dia e hora marcados acessei o link disponibilizado pelo Humberto e tive uma grata surpresa.

Para aqueles que, como eu, são novos nas ferramentas disponibilizadas pelo twitter, a twittecam nada mais é que o compartilhamento de vídeo em tempo real. Através do sistema é possível conversar, dar entrevistas ou fazer um pequeno show do estúdio de casa para mais de 6 mil pessoas se tornando um dos assuntos mais comentados na rede.

E para minha alegria foi exatamente isso que aconteceu. O “show” começou um pouco atrasado em virtude de problemas na transmissão, infelizmente o Humberto cantou duas músicas sem que fossem ouvidas por ninguém. Depois de resolvido o contratempo foi um deleite só.

Mais de uma hora cantando músicas ótimas, com letras comoventes e especiais, sem contar com a simpatia de abrir o estúdio da própria casa para os fãs.

Nesse dia o Humberto estava inspirado, tocou gaita, piano, agradeceu ao carinho dos fãs e pediu chã para a esposa, pois o frio em Porto Alegre já havia chegado.

A noite foi emocionante, mesmo para mim que até então era simples admiradora do trabalho do Humberto. Digo isso porque depois de presenciar tamanha consideração e ouvir com mais cuidado as letras das músicas posso dizer que me tornei fã do Gessinger.

Naquela noite o 1Berto (como ele gosta de escrever) fez valer o ditado de que o artista vai onde o povo está, ele tem usado o twitter de forma brilhante para divulgar seu shows, livros e para se comunicar com os fãs.

Rendo aqui minhas homenagens a um artista genuíno no melhor significado da palavra.

Para quem se interessar esse é o twitter dele.

Informações sobre shows e os livros acesse o site do Pouca Vogal.

terça-feira, maio 17, 2011

Cotidiano

Quando mudei o blog de servidor comecei a postar várias poesias. E agora me sinto meio presa, como se este fosse um blog exclusivamente poético.

A verdade é que não é, mas por algum motivo acho que fiquei com essa impressão.

E agora qualquer escrito que não seja poético não parece digno de ser publicado.

Ando sem inspiração para a poesia, mas com muita vontade de escrever sobre o cotidiano. Na verdade não quero escrever sobre qualquer cotidiano e sim sobre o meu.

Foi nesse ponto que fiquei meio empacada porque me senti uma adolescente estúpida escrevendo para si mesma como foi seu dia, mas só agora percebi que escrever sempre foi a minha salvação. Escrever é um jeito de me olhar, seja na poesia ou nas bobagens do meu dia a dia.

A verdade é que não tenho feito muita coisa, ultimamente, ou melhor, há algum tempo, não tenho realizado grandes feitos.

Praticamente não leio mais, assisto a muitos filmes, mas não consigo escrever uma linha sobre nenhum deles. Não tenho estudado. Acordo cheia de planos, de resoluções que possam fazer meus dias mais produtivos, mas acabo sempre não fazendo nada. E assim vou sobrevivendo.

Para não dizer que não cumpro quase nenhum dos meus propósitos nas últimas duas semanas comecei uma atividade física, estou praticando muay thai, algo muito bom. Acho que essas aulas tem sido o ponto alto dos meus dias.

Outra resolução importante é a tentativa de parar de fumar, essa tem sido uma das coisas mais difíceis para mim, estou tentando um novo sistema para tentar diminuir aos poucos, vamos ver como o quadro evolui nos próximos dias.

No mais ando esperando por notícias na área profissional, tenho esperança que algo bom aconteça e me ajude a sair desse marasmo no qual mergulhei minha vida nos últimos tempos...

Pensando bem acho que preciso fazer algo enquanto outras coisas não acontecem, pois ainda que na vida seja preciso esperar melhor que não seja uma espera vã...

segunda-feira, maio 09, 2011

Dúvida

Ser a regra ou exceção?
Ser especial ou mais um na multidão?

quinta-feira, maio 05, 2011

Quintal

Quer conhecer o meu quintal?

Lá tem céu de algodão

Livres

A gente solta balão

Sem problema

Ou confusão

No meu quintal

A gente pendura no varal

Toda e qualquer obrigação

Deixa o sol queimar

Até esturricar

Toda mágoa e tristeza

No meu quintal

Só é preciso um pouco de destreza

Pra passar pelo jardim

Que tem flores com espim

Mais depois...

Depois é uma beleza

Tem o céu de algodão

E a lua encantada

Que existe só no meu sertão